segunda-feira, 17 de março de 2014
O que achei do novo Robocop
Olá! Depois de muito, mas muito tempo mesmo, resolvi voltar a escrever neste blog, que por sinal acabou mudando de nome. Sem a menor pretensão de ser um sucesso ou qualquer coisa do gênero, voltei a escrever só pra ter um lugar pra jogar meus pensamentos sobre assuntos que são do meu interesse e, quem sabe, trocar ideia com outras pessoas sobre esse assunto. Em curtas palavras, um blog roots!
O filme em questão foi muito esperado por mim assim como por tantos outros que viveram sua infância da metade dos anos 80 até meados dos 90. Sim, eu assisti o Robocop de 87 na "mítica" Sessão da Tarde. Nos meses que antecederam o filme mergulhei em toda hype. Vi fotos do set, acompanhei a polêmica da roupa preta (que até hoje perdura), assisti todos (ou quase) os trailers comerciais de TV em versões variadas (até as asiáticas) que apareceram na internet... Nem precisa dizer que estava ansioso pra esse filme. Assim como é pra mim, a figura e a obra do Robocop representa pra muita gente mais do que apenas um filme, mas é um link com a sua infância, então as pessoas tendem a meio que proteger ou superestimar essas coisas. Não estou falando que o filme Robocop do Paul Verhoeven é ruim, pelo contrário, é excelente, ok? Acho que já estou enrolando um pouco demais mas no próximo parágrafo vocês vão entender o porque de tanto rodeio pra começar (ou não).
Antes mesmo de ir ao cinema assistir, li, ouvi e vi muitas críticas ao filme. Algumas com spoilers (que eu não ligo tanto, dependendo do que for), algumas meio hater, mas todas se focavam na mesma pessoa: Alex J. Murphy. Pra falar do primeiro filme é OK focar nesse personagem pois todo o enredo está apoiado nele, porém no Robocop do Padilha esse modelo é alterado. Sei que é impossível falar do novo sem fazer comparações com o antigo, mas é preciso enxergar bem as diferenças e ao fazê-lo talvez você faça melhor juízo do Padilhocop.
No filme de 87 Murphy realmente morre. Sua família não tem relação nenhuma com ele depois de su óbito e reotorno como policial robô. Não há uma relação da família Murphy com a OCP. Não há um cientista que acompanhe o Robocop e que seja um personagem relevante pro filme. A razão da existência do Robocop é pra que ele realmente seja um policial que limpe a cidade dos crimes a fim de que a OCP tenha condições infra-estruturais de construir Delta City.
O policial do futuro de 2014 é bem diferente.Não existe Delta City o que a OCP quer é ganho comercial. Aqui Murphy não chega a morrer (apesar de ter ficado bem acabado). Ele volta a ter contato com a família. A OCP visando conseguir aceitação pública de suas armas de controle urbano coercitivo (tá, eles não usam esse nome no filme, mas é o que são), vê uma oportunidade de conseguir ganhar o povo estadunidense ao colocar um homem dentro de uma máquina e de quebra ainda salvar um herói. Mas pra isso eles precisam da autorização da família. No primeiro filme esse fator dramático não existe porque Murphy é uma propriedade da OCP.
Outra sensível diferença é a existência de um personagem que é a ponte entre o homem Alex e a máquina Robocop. O Dr. Dennett Norton cria, desenvolve e acompanha a evolução de Murphy. De quase morto a herói nacional. É sobre este personagem que estão construídas as vias que fazem a história evoluir e também é em cima dele que está o plot twist final. Há toda um dilema interno com esse personagem que fica o filme inteiro dividido entre seu ideal de vida que é usar tecnologia para reabilitar pessoas e sua obrigação enquanto funcionário que tem suas pesquisas sustentadas pela Omni Corp. Vamos combinar que é um dilema mega batido, mas pulemos essa parte. É na mudança gradativa do discurso desse personagem que as coisas acontecem. As atitudes e decisões do Norton refletem diretamente em Murphy. Então veja que aqui não há uma luta interna no Robocop onde Murphy luta contra a máquina. Na verdade a única vez que isso acontece é no final do filme de uma forma bem fraca, como muitos já salientaram em outros lugares.
Sendo assim, acredito que, apesar de carregar o nome do filme, Robocop aqui foi quase um coadjuvante. Eu disse quase. Acho que a forma como a história foi contada atualizou bem as coisas e deu mais profundidade aos personagens. Não é um filme extraordinário. Não traz nada de novo. Não tem uma grande virada ou uma mega trilha sonora. Mas acho que vale a pena assistir com essa visão mais aberta.
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