quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O que achei de 12 anos de escravidão

Estou publicando este texto com bastante atraso por conta de alguns percalços que me obrigaram a dar um intervalo com o Blog. Mas esse filme me impactou tanto que mesmo atrasado decidi publica-lo. Enjoy! :)


Um filme sensacional, posso dizer isso por várias razões. Além da atuação incrível do Chiwetel Ejiofor (Solomon Northup) e também da Lupita Nyong'o (Patsey), os sets, o figurino, a fotografia... Vários elementos que se encaixam bem. Não tem um roteiro excepcional, mas fez seu trabalho e contou a história de uma forma que te fazia querer saber mais da vida de Solomon e dos que estavam a volta dele. Mas não quero aqui falar sobre os aspectos técnicos do filme, mas sim do que ele me causou.
Assisiti a esse filme "acompanhado" pela minha bela esposa que dormiu antes da metade (ela estava bem cansada, tadinha) que é negra. E mesmo que ela tenha assistido só o início e depois o final quando acordou, ela já teve um mesmo pensamento que eu: Como a humanidade pôde um dia ser tão estúpida!
Este foi um filme que amei e odiei ao mesmo tempo. Sentimentos de ódio, indignação e agonia mergulhavam misturados na minha mente. A vontade que eu sentia era de fazer como todos os escravagistas o que Solomon fez com o personagem de Paul Dano (Tibeats).
O protagonista do filme é um homem negro livre vivendo nos Estados Unidos em época onde a escravidão ainda existia em alguns estados dos país. Habilidoso violinista, Solomon é convidado para participar de uma apresentação. No meio dessa história ele é sequestrados e levado para um dos estados onde ainda existem senhores de escravos. Lá passa a ser chamado por outro nome sendo obrigado a negar sua própria identidade de homem livre. Solomon percebeu que precisava sobreviver antes de conseguir viver de novo. Dessa forma ele buscava cada pequena oportunidade para se comunicar com "o mundo" para dizer onde ele estava e que tinha sido sequestrado.
Muitos elementos do filme ajudam a instigar todos esses sentimentos que nos invadem. A cena em que Solomon fica pendurado na forca se sustentando na ponta dos pés para não morrer é um exemplo. Nessa cena em especial fiquei inconformado, agoniado! E a construção da cena te empurra para isso. Além de ser uma cena longa, o plano aberto mostrando outros escravos trabalhando e crianças brincando como se não houvesse uma pessoa lutando pela sua vida, mostra como era a visão dos escravos acerca de si mesmos e como suas mentes já estavam cauterizadas pelo sofrimento. Eram de fato acuados, tinham medo. Fico imaginando como devia ser o psicológico dessas pessoas. E nesse filme pudemos ter uma leve ideia através dos vários personagens.
Algo que me deixou impressionado foi como eles conseguiram (ator e produção) externar o estado psicológico de Solomon pela sua expressão. Depois de muito penar, o protagonista consegue se comunicar através de Samuel Bass (Brad Pitt) que tinha ido fazer um serviço na fazenda onde Solomon estava. Ao retornar para casa ele estava bem vestido, mas seu olhar era de alguém realmente açoitado no corpo e na mente. Que essa realidade nunca mais se repita em lugar nenhum!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O que achei de Guardiões da Galáxia


Antes de qualquer coisa quero fazer um comentário em off: Espero muito que este
filme sirva de inspiração para os novos filmes de Star Wars que estão por vir. Just saying.

Atenção! Este post contém um nível leve de spoilers!

Este é um filme que muita gente ficou com pé atrás por diversas razões. Personagens completamente desconhecidos pela maioria do público da Marvel no cinema (mesmo que a primeira aparição de Guardians of the Galaxy tenha ocorrido em 1969, sete anos após a estréia do aranha, por exemplo, nos quadrinhos) e com personagens que, à primeira vista, são um tanto quanto estranhos. Uma árvore humanoide (ok, já estamos familiarizados com isso, né Peter Jackson?), um guaxinim com armas de fogo, um humano (buh!) um alien tatuado e uma mulher verde (a alien malvada do oeste? XD ). Era de se esperar tal desconfiança. Porém a Marvel mostrou que tem potencial para fazer mais uma vez o que ela fez no final da década passada quando transformou o Homem de Ferro, um herói de segunda linha nos quadrinhos, em um dos mais populares atualmente.
O filme já começa de uma forma incomum para o que estávamos acostumados a ver nos longas da Marvel. Nada de créditos iniciais, uma animação legal ou o título do filme em letras estilizadas precedido pela logo da "Marvel Studios". Quando eu estava no cinema nem me dei conta que o filme tinha começado. Fiquei por uns 2 ou 3 minutos num estado de suspensão. Nesse momento pensava comigo "isso ainda é trailer ou já é filme?" Porque realmente não tem nada que te anuncie o início, nada mesmo! Essa sequência inicial funciona como uma espécie de prólogo que eficientemente te joga no filme com o background do primeiro personagem apresentado, Peter Quill, o StarLord.
Os personagens que compõem o grupo principal e que dá nome ao filme, é formado de um modo natural. Eles acabam estando na mesma situação uns por uma causa (o tal orb misterioso) e outros por outra (dinheiro, seja pela captura do Peter ou pela venda do Orb ou ainda para vingar a família morta). Os heróis são introduzidos de forma suave e variada e se tornam cada vez mais familiares e mais simpáticos ao expectador conforme o filme prossegue. Achei muito bom não haver explicações "bonitinhas" e quase didáticas sobre os personagens. Não tem aquela coisa do tipo "olha, esse aqui é o fulaninho. Ele é o bonzinho da história. Ele faz tal coisa, veio de tal lugar e blablabla..." NÃO! Eles simplesmente apareciam fazendo o que fazem e sendo o que são. Você só descobre o caráter deles no decorrer do filme. Exemplo excelente disso é o próprio Drax que até certo ponto do filme me pareceu que seria uma espécia de subvilão pra que os heróis pudessem fazer um show off de suas habilidades. Acredito que a única que não seguiu muito essa linha foi a Gamora, mas mesmo assim mais pra frente no filme descobrimos melhor as nuances das intenções dela e que o fato dela estar perto e ser chamada de filha de Thanos não significa que esteja satisfeita com isso. Cada um tem sua profundidade. Não são personagens chapados, mas com variações de humor, de intenções, de posição em relação às situações apresentadas.
A trilha sonora é algo que merece destaque.  Sempre digo que, às vezes sinto ter nascido no tempo errado e que o fato de ter vindo ao mundo no último ano da década de 80 seria um sinal do meu desejo intrínseco de ter vivido nesta década louca. Pois bem, a trilha sonora deste filme é simplesmente uma homenagem à canções emblemáticas das décadas de 70 e 80. O que é mais interessante é como a música conversa com o filme através do personagem Peter Quill que toca as músicas da trilha no seu Walkman. As canções são uma seleção em fita K7 feita pela sua falecida mãe e que tem grande valor sentimental para Quill. É incrível como músicas, que sem essa amarração narrativa não fariam sentido algum, funcionam extremamente bem dentro das situações em que são reproduzidas.
Outro ponto a ser comentado é o humor. Na dose certa, inteligente e até um pouco ousado! O que foi interessante é que cada um tem sua veia de humor. Seja o Rocket com seu sarcasmo, o Groot com sua frase única (voz do Vin Diesel), o Drax com sua incapacidade de entender metáforas e linguagens figuradas, o StarLord com seu ar de canastrão ou até mesmo Gamora e sua brutalidade contrastando com sua aparência dentro da relação com Quill. Cada um tem sua própria forma de cativar o público pelo humor.
Este filme trás um novo fôlego para a aventura espacial no cinema. É impossível olhar para os personagens e não lembrar de Star Wars, mas há algo de diferente e novo em Guardiões da Galáxia.  Uma ligação natural é tecida entre os personagens culminando num final que, pode até parecer clichê, mas que tem toda relevância no fim das contas. Esse é um filme pra se assistir sem medo e pra aplaudir de pé, ou melhor, voando!

segunda-feira, 17 de março de 2014

O que achei do novo Robocop


Olá! Depois de muito, mas muito tempo mesmo, resolvi voltar a escrever neste blog, que por sinal acabou mudando de nome. Sem a menor pretensão de ser um sucesso ou qualquer coisa do gênero, voltei a escrever só pra ter um lugar pra jogar meus pensamentos sobre assuntos que são do meu interesse e, quem sabe, trocar ideia com outras pessoas sobre esse assunto. Em curtas palavras, um blog roots!

O filme em questão foi muito esperado por mim assim como por tantos outros que viveram sua infância da metade dos anos 80 até meados dos 90. Sim, eu assisti o Robocop de 87 na "mítica" Sessão da Tarde. Nos meses que antecederam o filme mergulhei em toda hype. Vi fotos do set, acompanhei a polêmica da roupa preta (que até hoje perdura), assisti todos (ou quase) os trailers comerciais de TV em versões variadas (até as asiáticas) que apareceram na internet... Nem precisa dizer que estava ansioso pra esse filme. Assim como é pra mim, a figura e a obra do Robocop representa pra muita gente mais do que apenas um filme, mas é um link com a sua infância, então as pessoas tendem a meio que proteger ou superestimar essas coisas. Não estou falando que o filme Robocop do Paul Verhoeven é ruim, pelo contrário, é excelente, ok? Acho que já estou enrolando um pouco demais mas no próximo parágrafo vocês vão entender o porque de tanto rodeio pra começar (ou não).
Antes mesmo de ir ao cinema assistir, li, ouvi e vi muitas críticas ao filme. Algumas com spoilers (que eu não ligo tanto, dependendo do que for), algumas meio hater, mas todas se focavam na mesma pessoa: Alex J. Murphy. Pra falar do primeiro filme é OK focar nesse personagem pois todo o enredo está apoiado nele, porém no Robocop do Padilha esse modelo é alterado. Sei que é impossível falar do novo sem fazer comparações com o antigo, mas é preciso enxergar bem as diferenças e ao fazê-lo talvez você faça melhor juízo do Padilhocop.
No filme de 87 Murphy realmente morre. Sua família não tem relação nenhuma com ele depois de su óbito e reotorno como policial robô. Não há uma relação da família Murphy com a OCP. Não há um cientista que acompanhe o Robocop e que seja um personagem relevante pro filme. A razão da existência do Robocop é pra que ele realmente seja um policial que limpe a cidade dos crimes a fim de que a OCP tenha condições infra-estruturais de construir Delta City.
O policial do futuro de 2014 é bem diferente.Não existe Delta City o que a OCP quer é ganho comercial. Aqui Murphy não chega a morrer (apesar de ter ficado bem acabado). Ele volta a ter contato com a família. A OCP visando conseguir aceitação pública de suas armas de controle urbano coercitivo (tá, eles não usam esse nome no filme, mas é o que são), vê uma oportunidade de conseguir ganhar o povo estadunidense ao colocar um homem dentro de uma máquina e de quebra ainda salvar um herói. Mas pra isso eles precisam da autorização da família. No primeiro filme esse fator dramático não existe porque Murphy é uma propriedade da OCP.
Outra sensível diferença é a existência de um personagem que é a ponte entre o homem Alex e a máquina Robocop. O Dr. Dennett Norton cria, desenvolve e acompanha a evolução de Murphy. De quase morto a herói nacional. É sobre este personagem que estão construídas as vias que fazem a história evoluir e também é em cima dele que está o plot twist final. Há toda um dilema interno com esse personagem que fica o filme inteiro dividido entre seu ideal de vida que é usar tecnologia para reabilitar pessoas e sua obrigação enquanto funcionário que tem suas pesquisas sustentadas pela Omni Corp. Vamos combinar que é um dilema mega batido, mas pulemos essa parte. É na mudança gradativa do discurso desse personagem que as coisas acontecem. As atitudes e decisões do Norton refletem diretamente em Murphy. Então veja que aqui não há uma luta interna no Robocop onde Murphy luta contra a máquina. Na verdade a única vez que isso acontece é no final do filme de uma forma bem fraca, como muitos já salientaram em outros lugares.
Sendo assim, acredito que, apesar de carregar o nome do filme, Robocop aqui foi quase um coadjuvante. Eu disse quase. Acho que a forma como a história foi contada atualizou bem as coisas e deu mais profundidade aos personagens. Não é um filme extraordinário. Não traz nada de novo. Não tem uma grande virada ou uma mega trilha sonora. Mas acho que vale a pena assistir com essa visão mais aberta.