segunda-feira, 29 de março de 2010

Barbero e God of War

Bem leitores provavelmente nerds, atualmente estou intrigado com minhas atividades na faculdade. Preciso desenvolver uma pesquisa para a matéria da faculdade chamada "Metodologia de Pesquisa". Bem, nesse semestre me decidi, meu caminho é Game Studies! E pensando nisso resolvi unir alguns pensamentos e começar a tecer uma questão boa para minha pesquisa. Então esse post (e muito outros daqui pra frente) serão pensamentos expostos pra me ajudar a encontrar os jogos dentro de uma perspectiva teórica.
Então vamos nessa! Existe um autor da área de comunicação chamado Matín Barbero que, dentre outras coisas, fala sobre mediação. Ele apresenta mediação como um elo entre pessoas e/ou instituições e busca entender as nuances desses meios para discordar de uma outra teoria que prega a mídia como uma grande e vitoriosa vilã que vai acabar com a cultura e dominar o mundo.
Para ajudar a entender esses processos midiáticos, Barbero cria algo chamado mapa noturno que serve como um guia para entender as mediações, seus motivos, características, etc. de uma forma mais consciente. De forma abreviada vou explicar o que raios tem nesse mapa.
O mapa noturno tem 3 partes:
1- Familiaridade. As mídias apresentam-se para as pessoas sempre com algo que lhe traga conforto, identificação e familiarização com aquilo abordado. Ao mesmo tempo traz algo novo consigo, fazendo assim com que as coisas novas sejam aceitas dentro de uma zona de conforto.
2- Temporalidade. Esse conceito é meio ruim de explicar. Sabe quando as programações midiáticas começam a servir de parametro para medirmos nosso tempo? Tipo... a que horas é a janta? "depois da novela das seis" é algo desse tipo que acontece também.
3- Relevância Cultural. É sempre uma aspiração e vontade da mídia, seja ela qual for, introduzir uma cultura naqueles que são seus receptores de forma que seja relevante pra vida deles.
Enfim, deixando de lado essa parte mais chata, vamos ao ponto que quero chegar. God of War é, sem dúvida, uma expressão midiática de referência. E pensei bem e vi que ele se encaixa bem nesse mapa de Barbero. Vejamos; este é um jogo que tem um enredo muito bom, gráficos lindos, entre tantas outras coisas com a qual os jogadores já estão acostumados e que lhe trazem conforto e prazer. Porém traz também consigo inovações que, dentro desse invólucro de conforto é muito melhor aceito e bem mais vistoso também. Com características como combinar de forma agradável puzzles e ação, fazer da câmera de visualização praticamente um companheiro (como se fosse você seguindo Kratos) que horas te ajuda horas te esconde coisas... enfim vai demorar muito pra dissecar tudo isso e isto é apenas um post que quero que você leia até o final. Vejam o confortável e familiar junto com o inovador.
Muitas pessoas fazem desse jogo (e não só desse) uma rotina diária de tal forma que essa prática torna-se uma espécie de marcadores de horários. Como eu por exemplo: "Vou pra faculdade depois de GOW, quando voltar tento passar dessa parte..."
E quanto a relevância cultural desse jogo é até bobagem falar! Quando um jogo borra os limites da terra dos games e passa a fazer parte da vida e das aspirações das pessoas, acho que já é de grande relevância cultural. Quem não gostaria de jogar GOW III? E quantas milhares de pessoas aguardaram o lançamento desse jogo com ansiedade engastritante? Quantos fãs existem desse jogo? Responda a essas perguntas e você vai ver que as respostas te guiarão a uma cultura grega revitalizada dentro de um jogo e adotada por fãs que silenciosa ou declaradamente (estampando camisas com Kratos) amam e vivem a vida de Kratos.
Bem, espero que tenham gostado dessa colcha de retalhos. Outras ainda virão e espero que fiquem mais definidas e bonitinhas com o decorrer do tempo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário