quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Twitar ou não twitar... eis a questão.

Esse post vai fugir um pouco da temática proposta pra este blog. Vai ser meio um desabafo, enfim, vamos logo ao centro dessa questão. Recentemente, numa aula da faculdade, resolvi usar um serviço que tem feito sucesso e tem despertado certo incômodo e polêmica ao mesmo tempo, entrei no site "twitcam". Este é um site que transmite imagens aovivo usando a webcam do computador. O site é associado ao Twitter, e quando é usado por alguém ele associa seu login do Twitter para que você possa entrar como usuário do Twitter e dizer pra todos os seus seguidores que você está transmitindo imagens. No tweet automático vai um texto dizendo que você está fazendo um "broadcasting" e manda o link pra que qualquer um que clique neste link tenha acesso às imagens transmitidas naquele momento.
Pois bem, foi o que eu fiz. Estava numa aula que tinha ligação com essa questão das redes online e da sociabilidade, então achei que seria a situação perfeita pra testar essa ferramenta, afinal, eu estava transmitindo uma aula de uma universidade pública. Houve até uma interação com um professor do curso que estava apenas ouvindo a aula e fazendo outras coisas. Aí o cara conversou comigo pelo próprio Twittter e mandou um beijo pra professora que é sua amiga. Pô, achei mó barato! interação total! Deu certo! O uso dessa ferramenta poderia de fato ajudar! Mas há muitos ransos, eu diria, da antiga pedagogia que insiste em englobar alunos e professor numa bolha hermética que alguns chamam de "ambiente familiar". Isso quer dizer, trocando em miúdos, "o que acontece na sala fica na sala". Há um certo medo que eu não entendo. Num curso (Estudos de Mídia) onde esses paradigmas deveriam ser quebrados, é justamente onde eles se chocam com o objeto de estudo.
O que aconteceu logo após essa transmissão foi que a notícia se espalhou entre os professores, e junto com a notícia o medo de eu estar, possivelmente, trasmitindo a aula deles. Houveram dois ou três professores que me perguntaram isso antes de começar a aula. Um deles me perguntou mais de uma vez no decorrer da aula. Nenhum deles de forma ofensiva, sempre em tom de brincadeira, mas o medo era real. Aí já comecei a ficar meio decepcionado. Tipo que a princípio era só para aquela aula onde aconteceu a transmissão já que ela tem haver com essa ferramenta já que discute ela, mas eu pensava em repetir isso nas outras aulas, mas esses comentários me disseram com todas as letras "NÃO". Mas aí beleza, então vou só transmitir a aula que trata de redes sociais. Foi aí que realmente vi que ainda falta muito pra que o tal ranso pedagógico que falei anteriormente se desfaça.
Foi numa aula da matéria onde tudo começou que constatei o dito anteriormente. Cheguei atrasado , então tentei ser o mais discreto possível (apesar de ter passado na frente do datashow), sentei e abri meu notebook. Não demorou muito e a professora já começou a abordar o acontecido com palavras mais ou menos assim "fiquei sabendo que você filmou, twitou a aula né?" aí se dirigiu à turma: "gente eu so queria pedir que se vocês forem twitar ou gravar a aula pra avisarem, beleza?" Aí fiquei... caramba! Quem eu achei que fosse achar super legal, tudo bem, foi a menos cerceadora de todos, mas ainda assim fez coro com os outros, mas ainda assim rola uma coação pra que não se faça a transmissão. Onde que eu vou chegar (atrasado como sempre porque sempre janto no bandejão que está sempre cheio) no meio da aula e dizer "ó, vou ligar a twitcam, tá?"
Talvez eu esteja errado no meu pensamento, ninguém é obrigado a ter sua voz (porque só a voz do(a) professor(a) entra na gravação) publicada na internet... mas caramba! É uma universidade pública ou não? Qual o problema de tornar pública uma aula e espalhar o conhecimento dela? E pra mostrar que esse "medo do público" é real, a seguinte frase foi dita pela professora enquanto eu escrevia esse artigo:"Você num tá gravando isso não, né?" Ela tinha acabado de dizer algo que não gostaria que alguém de fora da aula ouvisse.
Bom, gostaria de ouvir algumas opiniões sobre isso. Tô forçando a barra ou realmente há uma insistência em manter um modelo antigo? Respondam-me, por favor.

Um comentário:

  1. Tenho que concordar com você. A educação, seja ela no ensino médio ou superior, ainda está bem distante de se adequar às novas tecnologias. Os avanços neste campo ainda estão muito distantes do ideal.Quando se toma uma atitude fora do convencional, como você fez, isso choca os mais conservadores e faz com que eles se manifestem defensivamente.

    Uma pena!

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