Um filme sensacional, posso dizer isso por várias razões. Além da atuação incrível do Chiwetel Ejiofor (Solomon Northup) e também da Lupita Nyong'o (Patsey), os sets, o figurino, a fotografia... Vários elementos que se encaixam bem. Não tem um roteiro excepcional, mas fez seu trabalho e contou a história de uma forma que te fazia querer saber mais da vida de Solomon e dos que estavam a volta dele. Mas não quero aqui falar sobre os aspectos técnicos do filme, mas sim do que ele me causou.
Assisiti a esse filme "acompanhado" pela minha bela esposa que dormiu antes da metade (ela estava bem cansada, tadinha) que é negra. E mesmo que ela tenha assistido só o início e depois o final quando acordou, ela já teve um mesmo pensamento que eu: Como a humanidade pôde um dia ser tão estúpida!
Este foi um filme que amei e odiei ao mesmo tempo. Sentimentos de ódio, indignação e agonia mergulhavam misturados na minha mente. A vontade que eu sentia era de fazer como todos os escravagistas o que Solomon fez com o personagem de Paul Dano (Tibeats).
O protagonista do filme é um homem negro livre vivendo nos Estados Unidos em época onde a escravidão ainda existia em alguns estados dos país. Habilidoso violinista, Solomon é convidado para participar de uma apresentação. No meio dessa história ele é sequestrados e levado para um dos estados onde ainda existem senhores de escravos. Lá passa a ser chamado por outro nome sendo obrigado a negar sua própria identidade de homem livre. Solomon percebeu que precisava sobreviver antes de conseguir viver de novo. Dessa forma ele buscava cada pequena oportunidade para se comunicar com "o mundo" para dizer onde ele estava e que tinha sido sequestrado.
Muitos elementos do filme ajudam a instigar todos esses sentimentos que nos invadem. A cena em que Solomon fica pendurado na forca se sustentando na ponta dos pés para não morrer é um exemplo. Nessa cena em especial fiquei inconformado, agoniado! E a construção da cena te empurra para isso. Além de ser uma cena longa, o plano aberto mostrando outros escravos trabalhando e crianças brincando como se não houvesse uma pessoa lutando pela sua vida, mostra como era a visão dos escravos acerca de si mesmos e como suas mentes já estavam cauterizadas pelo sofrimento. Eram de fato acuados, tinham medo. Fico imaginando como devia ser o psicológico dessas pessoas. E nesse filme pudemos ter uma leve ideia através dos vários personagens.
Algo que me deixou impressionado foi como eles conseguiram (ator e produção) externar o estado psicológico de Solomon pela sua expressão. Depois de muito penar, o protagonista consegue se comunicar através de Samuel Bass (Brad Pitt) que tinha ido fazer um serviço na fazenda onde Solomon estava. Ao retornar para casa ele estava bem vestido, mas seu olhar era de alguém realmente açoitado no corpo e na mente. Que essa realidade nunca mais se repita em lugar nenhum!

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